CRÔNICA - A História de Conrado

Aqui eu caminho, pela estrada da vida, sem nem saber pra onde ir. Que música insuportável! Quem não gosta de música sertaneja deve me entender. Atrapalha o raciocínio. Mas como melhor começar a contar a história daquele herói, o imbatível rapaz que rompeu os paradigmas da humanidade e criou um mundo utópico onde todos são felizes? Aliás, será que querer isto é ser comunista? Será que sou comunista? Vai saber... Ainda mais com essa música de corno ecoando ao longe, impossível realmente raciocinar, mas acho que não sou, gosto muito de comprar.
            Na verdade, o herói, tratá-lo-ei por Conrado, não salvou o mundo, muito menos uma princesa. Deve ter ajudado alguns gatos pingados por aí, mas nada que lhe valesse um nobel ou uma medalha. Ele não era corajoso como Harry Potter ou rico como Christian Gray (credo), estava mais para um Edgar Alan Poe. Sim, estou misturando nomes de personagens com o de um autor, afinal, basta dizer que algo existe para que realmente exista, mesmo que apenas em conceito. Deste modo, Harry Potter e Christian Gray (credo) são tão reais quanto eu e você, amigo leitor. Mas voltando ao nosso herói, Conrado gostava de escrever. Ele adorava histórias de terror (aí a ligação óbvia com Poe). Escrevia romances e poemas.
            Certo dia, Conrado amanheceu bastante triste, então quis expressar sua tristeza em um poeminha leve. Em seu poema, as palavras morte e tripas apareceram bastante. Não, ele não era louco... Se bem que louco é aquele que foge aos padrões sociais, então, sim, ele era louco. Doidinho de pedra. Adorava Alice e fantasiava com o País das Maravilhas. Nos seus sonhos ele ria com o Gato de Cheshire, ouvia A Morsa e o Carpinteiro e batia um papo muito divertido com o Grifo e o Rei de Copas. Não gostava da Rainha, ela já havia cortado sua cabeça uma vez, e isso foi o suficiente para que a rejeição fosse eterna. Mas adorava tomar chá com o Chapeleiro (que, felizmente, não era o Johnny Depp) e a Lebre de Março, eram momentos verdadeiramente agradáveis.
            Mas, enfim, terminou seu poema: Nada. Palavras ao vento, ninguém apreciava sua arte. Talvez a vida boêmia o tivesse enfraquecido também, as ideias tivessem se tornado banais. “Bebida demais deixa a gente retardado”, pensou. Passou o dia todo assistindo TV. Mas, em determinado momento, veio-lhe o seguinte pensamento: “se eu aqui sou assim, será que num outro universo existe um cara diferente, vivendo melhor?”. A ciência diz que sim, pelo menos. Então vamos deixar Conrado sozinho por um momento com suas indagações regadas a ópio.
            Poxa, que pena, parece que Conrado morreu, mas, infelizmente, o sertanejo aqui continua, vou procurar um chapéu de caubói.

Nenhum comentário:

Postar um comentário