POEMA - Quem sou?

Numa tarde enquanto não fazia nada no trabalho, veio a ideia à cabeça: bardo moderno. Realmente, sou um fã da figura do bardo. Shakespeare é chamado de bardo, por exemplo. Jogando RPG com meus amigos, meu personagem quase sempre era um bardo. Assim, com um pensamento um tanto besta, nasceu esse poema.

Creio ser um bardo moderno.
Um menestrel do concreto,
Um trovador entre prédios?
Bucólico, faço um alexandrino arcaico,
Ou, talvez, um choroso decassílabo.
De Camões é minha língua nativa,
Porém, diferente dele,
Não canto pátria ou feitos gloriosos,
Só o ser humano: imperfeito e disforme.

POEMA - Soneto de Imbecilidade

Escrevi este poema num momento... chato, digamos assim. Aquela conversa que a tristeza ou raiva são os melhores motivos para se escrever uma poesia não é só conversa, definitivamente não. É uma tremenda verdade, pelo menos para mim. Este poema a seguir é um soneto tradicional, decassílabo. Não vou interpretar nada, apenas aproveite a sonoridade das palavras e sua organização. Dele tire o significado que achar melhor. Chama-se, como o diz o título do post: Soneto de Imbecilidade.

Por um erro cômico, tão errôneo
Quanto uma errada comédia sem riso,
Caído, sem abrigo, instantâneo,
Fica o homem, morto, sem nenhum siso.

Um pouco de pouca imbecilidade
Basta pra um fim de tarde deprimente.
Por isso venha, criatividade,
Aplacar tal mal, matador da mente!

A poesia cura tais feridas
Que de todos são elas advindas!
Bem-vindo ao mundo dos que nunca somem!

Eternidade espera, imbecil.
Calmamente chama-o: varonil,
Sir ou dominus, mas o melhor: homem. 

TRECHO - Guerra e Ideal

Decidi começar a explicar o que são as postagens, é mais fácil e fica mais organizado (até porque me criticaram pelo design do blog). O trecho abaixo é um fim de capítulo de Guerra e Ideal, seguindo uma mania minha (ou estilo) de terminar capítulos com reflexões da personagem.     

     "Consegue imaginar qual foi minha sensação naquela hora? Um épico. Aquilo parecia minha odisseia e eu não podia parar. Cada situação era um desafio, tudo para conseguir voltar para minha vida tranquila, meu tão desejado conforto, meu lar, mesmo vivendo cada situação com a incerteza se ainda possuía aquilo, um “lar”. Não é à toa que o tempo pode ser simbolizado por um rio correndo... Mas creio que rio é pouco, todos nós estamos num navio, no meio dum oceano, sendo arrastados por uma correnteza que nos leva a algum lugar familiar e estranho ao mesmo tempo. O mundo inteiro é familiar e estranho: todo lugar têm pessoas, pessoas são simplesmente pessoas, mas ao mesmo tempo cada uma é uma individualmente e elas se modificam com o tempo. Tudo se modifica com o tempo. O tempo é um assassino. O tempo é um oceano. Estamos num navio: cuidado para não naufragar."

POEMA - Eu

Quando nasci, um gnomo brincalhão,
Desses que vivem nos jardins,
Chutou minha bunda, mostrou-me o dedo médio e disse:
“Vai, Daniel, ser tu mesmo o tempo todo!
Viver no ócio, dia e noite descansar
De um cansaço inexistente, puro pesar!”
“Doeu!”, disse eu,
Procurei, mas não achei colhão,
Nem mesmo nos camarins,
Assim diante do gnomo, agi com meninice.
O engraçado tinha nome, mistura bem atrevida,
Todo mundo conhece, a saber, era: Vida.

POEMA - Desabafo

Baudelaire sobre a mesa,
Suas flores ignoradas,
Mas por mim jamais deixadas.
Oh! Geração decadente,
Não sentes falta da beleza?
Tecnologia indecente,
Transforma mentes em vento,
Nada sabem, apenas excremento!
Não sei se é nojo,
Ou se é raiva,
Mas digo: lhes falta a palavra,
Lhes falta o mojo,
O prazer de quem amava,
Dos poetas o dom da lavra.

Alguns esclarecimentos

Pessoal, gostaria apenas de esclarecer como organizei e organizarei as postagens, para que dê realmente para entender meu objetivo com o blog. 

O título de cada postagem visa esclarecer o que é aquele texto: POEMA, CRÔNICA, TRECHO etc. Após isso, caso seja um texto pronto e único, tem-se o título original. Caso seja um trecho, então vem acompanhado do título do livro, conto ou seja o que for.

Agora, referente aos trechos. Muitos, alguns já presentes aqui e outros que ainda vou publicar, fazem parte do romance que estou escrevendo, atualmente chamado de Guerra e Ideal, mas esse título pode mudar. Ainda não consegui classificar o livro, mas, quando me perguntam, eu digo que é uma ficção científica steampunk, apesar do livro ter muito de ficção e quase nada de científico.

Há também trechos de um poema ainda sem nome que estou escrevendo, seguindo as regras do gênero épico, tradicional mesmo, totalmente composto por redondilhas (7 pés). 

Vez ou outra também colocarei trechos de um livro esquisito o qual, como coloquei numa observação no próprio post publicado antes deste esclarecimento, é escrito de uma maneira... Bukowski, digamos assim, do jeito que o o velho Buk escreveu Notas de um Velho Safado, simplesmente deixando as palavras virem. O nome do projeto é Relatividade do Ser dos Humanos. 

Bom, acho que é isso. Desculpem qualquer erro de grafia (realmente passou batido) que possa ter e também qualquer outra coisa. Espero que gostem e, se gostarem dos textos e puderem compartilhar, eu fico muito agradecido mesmo :D

Obrigado!

POEMA - Para Carol

Anos, meses, dias,
Horas, minutos, segundos.
Cada momento, maravilhas.
Teus abraços, amores profundos.

Anjinha do céu,
Menininha amada,
Quero te ver com véu,
Usando linda grinalda.

Pra sempre te amar,
De ti sempre cuidar.
Sempre assim:

Juntinhos ao luar,
Além do sonhar,
Feita pra mim.

TRECHO - Relatividade do ser dos humanos

           Chega, melhor parar por aqui. Discussão sobre a vida, a arte e Pedro: um capítulo horrível. Aliás, os capítulos desse livro estão bastante curtos... Assim é a vida quando você é alguém que não consegue terminar direito as coisas que começa. Olhando por esse ângulo, acho que posso me comparar a Leonardo Da Vinci, um cara que tinha tantas ideias que não acabava nada. Por isso chamaram o puto do Michelangelo pra pintar a Sistina, meu amigo. Não faça as coisas direito e sempre vai ter alguém melhor pra fazer. Nem sei mais o que estou escrevendo.


OBS: Nem sei se deveria divulgar esse material aqui. Ele faz parte de algo que talvez venha a ser um livro algum dia, no qual eu simplesmente escrevo, escrevo e escrevo, sem pensar muito.

TRECHO - Guerra e Ideal

Como eu disse antes: o futuro é invisível. Nunca sabemos o que nosso destino nos guarda, apenas continuamos a viver. Minha mãe continuou, por mim. Isto era evidente, pois a família sempre tinha sido a prioridade dela e de meu pai. Veja bem: sempre. Agora, na ausência dos homens da casa, éramos apenas nós duas. 

TRECHO - Poema épico ainda sem nome

Tal poeta miserável,
De seu âmago amargo,
Agora, não mais amável,
Produto de seu estrago!

Assim diz: “Ó, senhor meu,
Perdoai o que diz teu
Servo malcriado, mau,
Não mais agirá tal qual!”

“Criatura ignorante!
Apenas retira-te”.
Assim foi o bom bufante,
Tramar seu plano marcante.

CRÔNICA - A História de Conrado

Aqui eu caminho, pela estrada da vida, sem nem saber pra onde ir. Que música insuportável! Quem não gosta de música sertaneja deve me entender. Atrapalha o raciocínio. Mas como melhor começar a contar a história daquele herói, o imbatível rapaz que rompeu os paradigmas da humanidade e criou um mundo utópico onde todos são felizes? Aliás, será que querer isto é ser comunista? Será que sou comunista? Vai saber... Ainda mais com essa música de corno ecoando ao longe, impossível realmente raciocinar, mas acho que não sou, gosto muito de comprar.
            Na verdade, o herói, tratá-lo-ei por Conrado, não salvou o mundo, muito menos uma princesa. Deve ter ajudado alguns gatos pingados por aí, mas nada que lhe valesse um nobel ou uma medalha. Ele não era corajoso como Harry Potter ou rico como Christian Gray (credo), estava mais para um Edgar Alan Poe. Sim, estou misturando nomes de personagens com o de um autor, afinal, basta dizer que algo existe para que realmente exista, mesmo que apenas em conceito. Deste modo, Harry Potter e Christian Gray (credo) são tão reais quanto eu e você, amigo leitor. Mas voltando ao nosso herói, Conrado gostava de escrever. Ele adorava histórias de terror (aí a ligação óbvia com Poe). Escrevia romances e poemas.
            Certo dia, Conrado amanheceu bastante triste, então quis expressar sua tristeza em um poeminha leve. Em seu poema, as palavras morte e tripas apareceram bastante. Não, ele não era louco... Se bem que louco é aquele que foge aos padrões sociais, então, sim, ele era louco. Doidinho de pedra. Adorava Alice e fantasiava com o País das Maravilhas. Nos seus sonhos ele ria com o Gato de Cheshire, ouvia A Morsa e o Carpinteiro e batia um papo muito divertido com o Grifo e o Rei de Copas. Não gostava da Rainha, ela já havia cortado sua cabeça uma vez, e isso foi o suficiente para que a rejeição fosse eterna. Mas adorava tomar chá com o Chapeleiro (que, felizmente, não era o Johnny Depp) e a Lebre de Março, eram momentos verdadeiramente agradáveis.
            Mas, enfim, terminou seu poema: Nada. Palavras ao vento, ninguém apreciava sua arte. Talvez a vida boêmia o tivesse enfraquecido também, as ideias tivessem se tornado banais. “Bebida demais deixa a gente retardado”, pensou. Passou o dia todo assistindo TV. Mas, em determinado momento, veio-lhe o seguinte pensamento: “se eu aqui sou assim, será que num outro universo existe um cara diferente, vivendo melhor?”. A ciência diz que sim, pelo menos. Então vamos deixar Conrado sozinho por um momento com suas indagações regadas a ópio.
            Poxa, que pena, parece que Conrado morreu, mas, infelizmente, o sertanejo aqui continua, vou procurar um chapéu de caubói.

POEMA - Tédio

Largo do mundo
O tédio imenso,
Prazer longínquo
Nesse céu extenso!

Nada, nada!
Apenas silêncio
Diante deste todo
Sem calmante incenso.

Proza sem vida,
Poesia fatal,
Tempo que origina
Esse momento sepulcral.

TRECHO - Guerra e Ideal

            A morte era um espetáculo. Vendedores de salgadinhos apareciam aos montes, vendendo seus produtos. Várias pessoas, incluindo crianças, jogavam pedras e os velhos sem força gritavam palavras de ódio. Aqueles homens eram amaldiçoados por suas ações, por sua luta pela liberdade daqueles que agora os denegriam, chamavam-nos de terroristas e coisas até piores. Eram empurrados por policiais mascarados, portadores de grandes fuzis.

CRÔNICA - A Arte do Professor Cotrim

                  Cotrim era um homem inteligente, de boa aparência e bem empregado. Ele era um escritor muito famoso e professor do curso de Letras na universidade. Ele sempre se sentiu virtuoso, possuidor de uma inteligência acima da média, um conhecedor dos seres humanos e homem sensível.
           A arte era seu foco principal. Amava esculturas fantásticas, aquilo que chamamos de arte moderna, sabe? Em suas aulas ele sempre afirmava a soberania da arte, como ela era capaz de gerar emoções, de chocar o leitor e fazê-lo refletir acerca da própria existência e a do mundo ao seu redor. A F de Marcel Duchamp era uma de suas obras favoritas.
           Mas existia um porém: Cotrim era um homem um tanto quanto preconceituoso. Quando questionado por seus alunos acerca de O Senhor dos Anéis, ele logo afirmava:
            — Isso não é Literatura!
           Isso porque ninguém teve coragem de perguntar a ele sobre Harry Potter ou Eragon. O interessante é que Cotrim nunca lera nenhuma dessas obras. Ele amava Tchekhov, Dostoiévski, Kafka e outros clássicos, tem bom gosto, mas não justificava sua atitude.
            Um dia, em uma de suas aulas, um aluno novamente colocou O Senhor dos Anéis em cena. O exército de Gondor se armou. O rei bruxo se levantou de seu trono escuro para defender seu senhor Sauron.
            Os senhores dos homens corriam em direção ao seu destino, a guerra deveria ser vencida. Com espadas empunhadas eles cantavam canções majestosas e davam gritos de guerra! O rei bruxo empunha sua massa gigantesca e aplica um golpe. Fatal, morte, dor, sanguinolência, ignorância.
            Vitória de Cotrim. Com uma palavra fatal joga anos de labor literário no lixo.

NOTA - Um pequeno desabafo

Experimente andar de carro no fim da tarde, no centro da cidade, com o sol batendo diretamente no seu rosto: é lindo.

POEMA - Um agradecimento a Robert Burton e à psicopatologia dos seres sociais: HUMANOS

Melancolia que mata,
Melancolia que esfola,
Dor estonteante, fantástica,
Piada, você é isso,
Apenas uma piada,
Somos todos piadas,
Ironia do nojento destino
Que nos vira contra nós mesmos.
Dor, apenas dor,
Melancolia, melancolia
Que mata, esfola,
Estonteante e fantástica
Que te faz uma piada.
Vamos rir:
HAHAHAHAHA

CRÔNICA - Mangás

Tenho uma quantidade enorme de trabalhos para fazer e uma pesquisa para realizar, porém, hoje uma gripe chegou e me deixou todo molenga e sem vontade de fazer porcaria nenhuma. A internet também não presta, talvez por causa da linha telefônica defeituosa.
            Vou ler mangás. Lembro há uns anos atrás quando comprava essas belas revistas em quadrinhos numa proporção de deixar qualquer otaku com inveja. Aliás, otaku de verdade no Brasil é raro, mas aqui não é momento de expor essa situação. Pego o número um de 20th Century Boys e começo a leitura.
            Absorto, página por página, paro apenas para comer enquanto assisto a um programa sobre uma loja de penhores na TV. Termino a refeição e caio na leitura novamente. A vida dos garotos da história é simples, como a de qualquer outro, inclusive a minha. Por quê? Porque eles sonhavam, viviam em outro mundo dentro de suas mentes, assim como deve ser com quase todas as crianças. Mas eu não sou uma criança, sou um homem de vinte anos de idade. Mas eu sonho. Creio ser o adulto do qual falava Saint-Exúpery no Pequeno Príncipe. A maioria acha que caras como eu são simplesmente idiotas.
            Escrevi no roteiro de Phileas Vitae, meu próprio mangá, uma fala assim: “Somos todos loucos, a diferença é que uns admitem e outros não”. Felizmente, ou não, eu admito. Acho que, se todos nós admitíssemos, seríamos mais felizes, pois não haveria tanta preocupação com coisas como status etc. Mas também as coisas talvez fossem banalizadas. Quem admite ser maluco é artista, e se alguém se diz artista, mas não se diz louco, então artista não é. Lógica de maluco, se é que me entende.
            Mangás me trazem à memória cenas do meu velho quarto, o qual chamava carinhosamente de “caverna”, visto que era escuro (a janela dava diretamente na janela do vizinho, então deixava a persiana fechada). Ali comecei a ler quadrinhos de todos os tipos e se tornaram uma paixão. Hoje, quando estou estudando Letras na universidade, vejo muito preconceito em cima de meus queridos quadrinhos. Claro que nem todos são assim, o problema é que os que agem dessa forma são os que, provavelmente, tem um ótimo futuro acadêmico. E pensar que essa gente diz que mangás não tem nada de profundo... Lamentável.
            A academia ganhou meu descontentamento e raiva por causa desse tipo de atitude. A academia é nojenta. Maldita formadora de opiniões errôneas e elitistas, mas ainda adorada por alguns. O mais triste é que, provavelmente, deverei me sujeitar a ela. No mundo dos adultos, pode acontecer de você ter que abdicar do que ama em prol de quem ama. Isso é muito triste. Mas é uma escolha. É muito mais simples fazer um mestrado, doutorado e depois passar num concurso para trabalhar numa universidade do que ser um mero artista. Ninguém te conhece, então quem é você para dizer que é artista? O que faz de você um escritor? Já escreveu um livro? Triste, apenas triste.
            Minha paixão por mangás coincide com meus momentos saudosistas, como este em que escrevo este monte de palavras estranhas. Acho que, o que eu realmente precisava, é de ter a visão da infância no mundo inteiro. Se todos seguíssemos nossos sonhos, seríamos mais felizes, não haveria brigas por status etc.
            Eu tenho um monte de trabalhos para fazer... Mas vou passar a noite lendo mangás.